quarta-feira, 19 de março de 2008

CRÉU? AÍ NÃO!

CREU! AÍ NÃO
* Ivandilson Miranda Silva


Parece que a avalanche de produções, composições e espetáculos que expõe o gênero feminino ao ridículo não tem fim. Os grupos, bandas do momento desaparecem, mas sempre acaba surgindo uma novidade.

A tal novidade é a música CREU, primeiro lugar em várias paradas musicais das rádios brasileiras. Lembram-se, já tivemos atoladinha, as preparadas, popozudas, a quebra barraco, a metralhada, enfermeira do funk, canhão, problemática e agora é creu,creu, creu.

A música é uma espécie de manual (quase que didático) do aumento da intensidade dos movimentos no ato da relação sexual, a proposta é ir intensificando os movimentos e creu, creu, creu, não há ambigüidades.

Não quero ser conservador, mas é pertinente perguntar: onde vamos parar? qual o próximo “sucesso” depois do creu? todos devem ter o direito de dizer e cantar o que quer? por que as músicas dos Paralamas do Sucesso, de Gabriel O Pensador, Marcelo D2 foram censuradas já nesta conjuntura de Estado pós-ditadura militar? Por que existe censura para uns e não para outros? Por que é proibido cantar “tô feliz, matei o presidente” ou “são 300 picaretas com anel de doutor” e é permitido cantar creu, creu, creu?

Bem, creu e as atoladinhas, metralhadas e canhão, estão no campo do erotismo banalizado, do machismo e do preconceito contra as mulheres e da construção da imagem utilitarista do feminino, essas questões não interessam, pois os centros de poder (mídia, Estado, capital) não são ameaçados, são beneficiados e vendem muito.

Cantar canhão pode! Deputados picaretas não pode! Ofende o parlamento, as autoridades, questiona o poder, parece V. de Vingança (assistam o filme), tudo muito contraditório.

Com todo esse processo, estamos contribuindo para anular a memória do povo brasileiro, negar a história, destruir identidades e gêneros. O tempo do vazio necessita de espetáculos efêmeros e da novidade sem conteúdo. É a reedição do pão e circo romano.

Para terminar esse texto sem um grande desânimo e angústia, vale lembrar que a música do carnaval 2007 em Salvador foi “TODA BOA”, uma espécie de retratação? mudança de rumo? um beija-flor apagando incêndio? o mercado fonográfico tentando fazer média? Pensem, reflitam,discutam, questionem...

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* Compositor e músico da Banda Periferia, Professor de Filosofia e Sociologia, Coordenador da Associação Educacional, Cultural e Ambiental Comunidade Universitária.

3 comentários:

mestredosmagos disse...

Ok! bvomuuu

mestredosmagos disse...

Qual relação entre “MENINO DE PAPAI” e “ASA BRANCA”?
*Ivandilson Miranda Silva

Sabemos que não podemos negar o novo, porque (como afirmou Belchior) “o novo sempre vem”, mas podemos problematizar, questionar ou na pior das hipóteses ser indiferente: ele existe, mas eu posso viver sem ele.

Essa análise vale para os chamados modismos ou inovações na música popular brasileira. Isso tem acontecido com todos os estilos e com o forró não seria diferente. O forró “Pé de Serra” de Luis Gonzaga tem perdido espaço para o forró eletrônico, hollywoodiano e, em muitos casos, circense.

Podemos perceber isso nos grupos que surgem no final da década de 1980 e encorparam nas suas apresentações locução de trailer de filme de terror “com vocês calcinha preta”, balé circense especializado em estimular a produção de testosterona em suas coreografias, composições que na maioria das vezes retratam um cotidiano de inveja e dor de cotovelo, criação de personagens em seus shows que acaba alimentando no imaginário da sociedade um universo imenso de preconceitos e intolerância .

Algumas dessas observações são percebidas na mega apresentação da canção “Menino de Papai”. Pensem na situação: Um anão contratado para dançar de frauda se intitulando o “menino de papai”. Vejam a letra:

Menino de Papai (Garotões Do Forró)
É o menino de papai é?
hahahahaha
Olha a caretinha que papai faz, olha!!!
hahahahahaha
De segunda a segunda só vivo no cabaré
Conheci uma rapariga que pegava no meu pé
Peguei meu carro, levei ela pro motel
Pedi ela em casamento e fomos pra lua de mel
Depois de nove meses veja o que aconteceu
Nasceu um menino lindo, olha a risada que ele deu
É o menino de papai é?
hahahahaha
Olha a caretinha que papai faz, olha!!!
hahahahahaha
Olha o menino, olha o menino, olha o menino de papai
Olha o menino, olha o menino, olha o menino de papai
hahahahahaha
uerrrrr!!!
Olha o menino, olha o menino, olha o menino de papai
Olha o menino, olha o menino, olha o menino de papai
hahahahahaha
uerrrrr, uerrrrr, uerrrrr!!!




Provocação: porque o anão ou os anões só são apresentados na grande mídia e agora na por grupos dessa natureza de uma maneira vexatória e radícula, criando o riso preconceituoso nas pessoas?

Temos construído um cenário musical que não olha para o passado, não tem referencial, não considera o antigo como elemento de inspiração e em contrapartida faz todas as vontades do mercado que não tem nenhuma preocupação com os valores, com um humor que não seja preconceituoso e intolerante.

Os nossos ícones do forró não estão sendo representados, pois entre “Asa branca” e “Menino de papai” não há conexões, esses grupos não se alicerçaram no passado, parece que renunciaram a base e se renunciaram a esse legado será que podemos chamar toda essa movimentação de forró?

Se o grande Lua estivesse vivo, certamente ele diria “Eu perguntei a Deus do céu por que tamanha judiação”.

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* Professor de Filosofia: Um ser em busca da batida perfeita.

PBO disse...

Infelizmente as próprias mulheres talvez sejam as maiores ouvintes dessas músicas, já que compram cds e tem presença marcada em bailes desse tipo de música(entenda-se barulho) que as expõe ao rídiculo! então como reagir ou recorrer a justiça legal, se as pessoas "agredidas" por tais músicas são incentivadoras da produção desse tipo de "música"?